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Influência da maçonaria na história das nações,nos processos de independência e na sociedade moderna

  • garciacruz5
  • 23 de mai. de 2022
  • 25 min de leitura



Versão em Português.


Ensaio sobre a influência do pensamento maçónico nas novas sociedades ocidentais e nos respectivos processos de independência.



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A consciência é o melhor juiz para um bom homem.

José de San Martín


Se o homem nasceu livre, deve governar-se; se ele tem tiranos, deve destroná-los.

Voltaire




Palavras-Chave: Maçonaria; Independência; Iluminismo; Revolução Industrial; Lojas Maçónicas; Liberdade.


Junho de 2020. Moçambique.



Este ensaio é uma figura de opinião com base nos arquivos históricos maçónicos e profanos dos séculos XVIII, XIX e XX. Não se pretende levantar um estudo investigativo detalhado sobre acontecimentos específicos e/ou sobre a vida e obra de grandes Irmãos que já passaram ao Oriente Eterno, cujo exemplo ainda ilumina todo o firmamento da história humana. Tampouco efectuar um levantamento dos procedimentos oficiais das Lojas instaladas nessa data para traçar os destinos de outras nações. Humildemente, cabe tal tarefa aos historiadores, mas as obediências maçónicas, em muito, influenciaram a emancipação político-social de diversos países, existindo uma enorme quantidade de acervos documentais históricos disponíveis. Não tendo intenção de oferecer segredos ou novas descobertas, mas sim levantar questões e dúvidas, que nos permitam compreender o contexto político internacional à época, para construir um futuro com maior sabedoria.

A influência da maçonaria e de seus obreiros nos destinos dos países americanos é indubitável, continua em grande parte omisso de quem escreve a história. Diz-se que a história é escrita pelos vencedores e encontramos em todos um primeiro denominador comum, o sacrifício da Verdade. O complicado nexo que interliga as lojas maçónicas, os seus obreiros e seus ideais, desde o levantamento de colunas, confunde-se com o surgimento do Iluminismo, da Revolução Industrial, dos processos de independência dos países americanos e das transformações governamentais e sociais dos regimes absolutistas na Europa, a queda de influência do sistema nobreza e clero e ascensão da burguesia como iremos rever.

Os maçons sempre foram homens de elevada cultura e erudição, de todos os quadrantes da sociedade, do músico ao militar. Possuem como primeira obrigação trabalharem e delapidarem as imperfeiçoes da sua própria pedra bruta, trabalhar o carácter que prime pela evolução da própria conduta, sem mácula, na construção de uma sociedade melhor e mais justa. Os pedreiros livres pela sua curiosidade intelectual de conhecer o mundo e a Natureza, participavam e participam também noutras instituições de carácter político, religioso, esotérico, filosófico que lhes transmite um pensamento aberto e fraterno.

Nos séculos XVIII e XIX, novas correntes esotéricas, cristãs, espíritas, bem como conhecimentos científicos surgiram. Essencialmente, o Iluminismo e a Revolução Industrial cresciam na Europa transformando o mundo para sempre e levando à sociedade contemporânea actual, em contraposição a séculos de dogma intelectual, sistemas de governação monárquicos e a processos produtivos artesanais. Grandes mudanças surgiram na Europa para que se tornasse possível esta independência, este novo pensamento. Também observamos nas américas surgirem doutrinas diferentes, mais humanas e é certo que se acreditava, provavelmente tal como hoje, que a sociedade necessitava de mudança.

Talvez a independência fosse o acreditar na construção de uma sociedade melhor, mais igual, mais fraterna e respeitadora de toda a vida, que miraculosamente da Terra nasce. Contudo, ainda nos dias de hoje, o trabalho não acabou! Ruíram velhos padrões dogmáticos, nasceram novas ciências e uma Fé numa sociedade melhor e mais humanista. A moral da sociedade também teve profundas alterações, derivada da Revolução Francesa e da Declaração dos Direitos Humanos. A educação de todos é um dos aspectos mais cruciais para uma sociedade mais humana, equalitária e fraterna. Sendo a educação a melhor arma contra o maior dos males humanos, a Ignorância.

Contudo, a maçonaria não é partidária, nem professa nenhuma religião em particular, mas defensora da Justiça, da Liberdade e da Verdade, os ensinamentos maçónicos procuram sempre os deveres fundamentais do ser humano, ou sejam, os deveres para connosco, com a humanidade e para com o Grande Arquitecto do Universo, uma ideia de Deus ecuménica e transversal a todos os credos. A ideia de fraternidade entre toda a humanidade, podendo-se referir que poderá ser a primeira manifestação de uma sociedade humana mundial.

Creio que os obreiros das colunas das diversas obediências europeias e americanas foram sim repercussores destas novas sociedades, talvez muito mais que as próprias obediências em si. Tal realidade perdura até aos dias de hoje, se bem que, actualmente é muito mais difícil a um maçon trabalhar para a Liberdade, face a uma mudança de paradigma.

Uma contextualização histórica é obrigatória para descrever as tendências do pensamento na Europa e em toda a América, cuja sequência, levaram ao natural processo de independência de regiões e povos pelo mundo fora. Sabemos que Maçonaria Especulativa Regular surgiu em Inglaterra, em 1717, utilizando os moldes de organização dos maçons operativos. Surgindo igualmente por toda a Europa o Iluminismo que, conforme diversos autores iluministas referiram, após séculos de obscurantismo e ignorância emergíamos para uma era iluminada pela razão e a ciência para explicar o Universo, em contraposição à fé. Assim nasceu a idade da razão fomentado pelo espírito de relativismo cultural e por uma sede pela exploração e conhecimento deste mundo em que nascemos.

Existiu entre a maçonaria e o Iluminismo uma profunda ligação, dado grandes iluministas da altura serem também da maçonaria. O feudalismo declinou dando lugar ao mercantilismo, igrejas cristãs advindas da reforma protestante proliferaram pelo norte da Europa, a unidade cristã foi dividida e como consequência destes acontecimentos o enfraquecimento da igreja romana.

Dois séculos de uma riqueza intelectual e filosófica onde destaco o nosso irmão Voltaire, iniciado em 1778, foi um dos maiores filósofos que influenciaram todas estas gerações do Séc XVIII. Os filósofos alemães traziam um novo conceito de Idealismo, onde se exaltava o conhecimento, que advinha, entre outras coisas, da coexistência das ideias, da razão e da realidade prática na gênese do conhecimento, como diria Kant. Karl Marx e as suas teorias de materialismo histórico dialéctico, que mal ou bem influenciou todo o mundo ocidental. Todo um novo conhecimento foi entrando por toda a europa e mudando progressivamente as mentalidades, colocando em questão as ideias e os valores herdados até então. A laicização do estado, o progresso, a ciência, a tolerância, diferentes conhecimentos ocultistas e religiosos foram os ideais que dominaram o mundo dos intelectuais na Europa durante os séculos XVIII e XIX. Obviamente que as colunas maçónicas abraçaram a fé na razão humana e todas as filosofias e ideais do Iluminismo, incentivando seus obreiros a perseguir uma vida cheia de integridade, honestidade e amor por toda a humanidade (Landmarks).

Enquanto, as sessões maçónicas eram preenchidas com uma ávida procura pelo conhecimento fraterno e universal de todas as coisas, o poder teocrático da Igreja foi decaindo à medida que os princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade começaram a apoderar-se da Europa. Tendo-se iniciado perseguições de imediato à nossa augusta ordem, das quais destaco a da Igreja Católica, a qual merece sempre todo o nosso respeito e consideração pelo ainda trabalho de caridade que faz pelo mundo, não vejo uma outra com tal amplitude. Perseguições essas creio, principalmente, ao elevado número de frades, bispos, cardeais e outros membros do clero que ornamentavam nossas colunas e que poderia ser um sério risco ao Vaticano.

Alguns dos homens mais famosos e influentes deste período da história foram maçons, incluindo Voltaire, John Locke, Haydn, Mozart, George Washington, Benjamin Franklin, John Paul Jones, Paul Revere e tantos outros, basta aceder à lista de maçons do Wikipedia para constatarmos que os obreiros estavam em todos os campos da sociedade.

Depois deste contexto, mergulhamos nos processos de independência que surgiram maioritariamente durante o Iluminismo, mas poderemos dizer que tudo se iniciou no dia 4 de Julho de 1776 com a proclamação de uma nova nação, os Estados Unidos da América, que se tornou independente da Grã Bretanha. A primeira Grande Loja Provincial (Modernos) foi fundada durante a era colonial, em 1731, e sua jurisdição concedida sobre Nova York, Nova Jersey e Pensilvânia. De entre muitos irmãos que se destacaram na época, lembramos o honrado Benjamin Franklin iniciado, em 1731 e instalado como Grão-Mestre, em 1735. O honorável irmão Franklin foi venerável mestre da famosa loja parisiense Nove Irmãs, em 1779–1781, do Grande Oriente de França e que foi decisiva na organização do apoio francês à revolução americana.

Até à revolução americana mais seis Grandes Lojas foram instaladas das quais a Grande Loja de Massachussetts, em 1733, associada também aos Modernos teve um papel preponderante nos destinos norte e sul americanos, basta constatar as viagens de Bolivar e outros irmãos a Boston. Os Modernos tiveram uma profunda influência nas colónias e esta disputa, entre maçons Moderns and Ancients no séc. XVII, teve inclusive Grande Lojas Independentes na Grã-Bretanha, tendo ambos se conciliado e unificado numa única United Grand Lodge of England, em 1813. Devido a muitos irmãos dos modernos voltarem aos rituais antigos e à lei de Sociedade Ilegais, aprovada para perseguir espiões de Napoleão no final do século XVIII.

Se existirem duvidas da influência maçónica nos processos de construção do Novo Mundo destaca-se o Boston Tea Party (Massachussetts), em 1773 cuja revolta escalou para a Guerra da Revolução Americana onde 50 delegados, dos 56 homens, que assinaram a declaração de independência eram membros da Maçonaria. Os símbolos maçônicos estão bem evidentes na arquitectura da capital e na nota de dólar, criada por decisão do Congresso em 1785. Cidade de Washington foi inaugurada em 1800 e o próprio arquitecto que projectou a cidade, Pierre L´Énfant, era maçon tendo traçado a disposição da nova cidade sobre princípios e símbolos maçónicos, dos quais se destaca o esquadro, compasso e pentagrama na projeção arquitectónica e cartográfica. O presidente George Washington, vestindo trajes maçónicos, colocou a primeira pedra do Congresso dos Estados Unidos e gostaria de citar o convite para a cerimónia, difundido nos jornais da época “O Capitólio está em andamento, o sudeste ainda está vazio e a pedra fundamental será colocada com a ajuda da Fraternidade no dia 18. Todos os membros da Ordem, ainda que dispersos, são convidados a participar no trabalho“. Após a Revolução Americana e após a incorporação do Canadá, várias Grandes Lojas Provinciais na América do Norte foram fechadas e originaram as Grandes Lojas Independentes das lojas reunidas de cada estado.

Estados Unidos da América não é o único país do continente Americano com estas evidências maçónicas, contudo teve um papel e uma influência fundamental nos processos de independência, tornados publicamente com a Doutrina Monroe que seguiu os ideais de Washington.

Um facto curioso foi o levantamento de colunas, em 1791, da African Grand Lodge of North America (Grande Loja Africana da América do Norte). Prince Hall foi eleito, por unanimidade, Grão-Mestre e o serviu até a sua morte, em 1807. Activista pelo abolicionismo e equidade dos negros, Hall encorajou negros escravos e alforriados a servirem no exército americano acreditando que, se os negros estivessem envolvidos na fundação da nova nação, ajudaria na obtenção da liberdade para todos.

Outro marco histórico importantíssimo para o mundo ocidental foi a Revolução Francesa, de 1789, sobre o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Maçonaria teve a sua influência relativa neste acontecimento que elevou definitivamente a democracia, em detrimento do absolutismo, e elevando a burguesia, maior patrocinador da causa. Se bem que a radicalização e violência usada durante esta revolução levou a algum descrédito do movimento Iluminista, pelos intelectuais contemporâneos da época. Tampouco teve qualquer influencia sobre os processos de independência dos países sobre cunho francês, maioritariamente africanos, dado terem conquistado a sua independência somente a meio do Séc. XX.

As nações europeias continuavam numa luta de interesses e influencias, entre si, marcadas pela expansão ultramarina desde o séc. XV, enquanto o iluminismo libertava os pensadores, artistas, poetas e políticos de dogmas sociais e religiosos. A realidade nas colónias era muito diferente em relação às metrópoles e, tendo o centro do Império e do Dogma Religioso mais longe, existiam estilos de vida diferentes da Europa, as distâncias não eram apenas geográficas, mas cada vez mais políticas e culturais, era altura de acreditar em novas ideias políticas e novos regimes, como a Républica. Obviamente que a Maçonaria e seus obreiros conspiravam para este novo mundo. Maçonaria tem a obrigação de trabalhar por um mundo melhor, não em proveito do próprio obreiro, mas sim em espírito de missão e sacrifício, a favor da paz e da vida, com justiça e progresso.

Estávamos perante a necessidade de instalar um novo estilo de vida “patrocinada” pelos países protestantes, principalmente a Grã-Bretanha que viviam uma época chamada Revolução Industrial, fins do séc. XVIII e todo o séc XIX, que capitalizava riqueza numa nova classe social, a burguesia. Este progresso trouxe novos modos de vida, a relação funcionário/patrão, os operários perderam controlo do processo produtivo, mas tinham agora um salário e um modo de subsistência. Esta era Vitoriana trouxe a hegemonia mundial britânica de expansão colonialista. A sociedade de consumo surgia, os PIB nacionais cresciam depois de séculos de estagnação e as disputas e conflitos entre os impérios europeus continuavam, a par de um crescente espírito armamentista.

Novos mercados, como os sul americanos eram de enorme interesse. Apareceu uma divisão entre o Norte e Sul da Europa (Protestantismo vs Catolicismo). Grã-Bretanha tinha agora sérios interesses na abolição da escravatura e na industrialização, a mudança de paradigma era necessário. Este tema daria uma dissertação, mas pretendemos continuar com os processos de independência.

Observamos que, entre 1804 e 1898, em plenas revoluções industriais, cerca de 20 países centro e sul americanos tornaram-se independentes das metrópoles, na sua grande maioria de Espanha. Só na primeira metade do Séc. XIX assistimos à Independência da Venezuela, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Equador, Haiti, Colômbia, México, Paraguai, Argentina, Chile, Pero, El Salvador, Brasil, Bolívia, Uruguai e República Dominicana. Apenas no Sec. XX os países sul americanos colonizados pela Grã-Bretanha conseguiram a sua inevitável proclamação da independência e nos fins do Séc. XX, temos finalmente a independência de muitos países africanos. As nações mais jovens do mundo. Diria que quase todos os processos de independência do Séc. XVIII e XIX tiveram a maçonaria como principal orquestrador, que usou e foi usada por diferentes grupos mundiais no tabuleiro dos interesses da economia e política mundiais. Contudo, actuando muitas vezes sem a devida harmonia e coesão que se lhe exige.

O grande mentor da independência dos países da América do Sul foi Francisco António Gabriel de Miranda, iniciado em 1780, nos Estados Unidos pelo próprio George Washington e o seu trabalho foi cirúrgico na independência dos países sul americanos. Vejamos uma lista bem conhecida dos maçons que o Irmão Miranda preparou: Bernardo O´Higgins Riquelme, José de San Martín, Carlos Montúfar, Vicente Rocafuerte, Bernardo Monteagudo, José Cecílio del Valle, Pedro José Caro, Servando Teresa de Mier, José Miguel Carrera, Mariano Moreno, Pedro Fermín de Vargas, Simon Bolívar, entre outros.

Em 1797, depois do exílio nos Estados Unidos, Miranda viaja para Londres e fundou a loja Grande Reunião Americana. Instalou outras Lojas como filiais, mas de Londres saía toda a instrução para dar cumprimento ao Plano Emancipador de toda a américa espanhola, conforme “inspiração” de Miranda e forte influência da maçonaria anglo-americana. Parafraseando a excelente prancha A importância da maçonaria em América latina, da loja Fraternidade Acadêmica Irmão Otaíde Feltrim, do Grande Oriente do Brasil e que muito agradeço a publicação, refere que estes patriotas começaram a movimentar-se na Europa para obter apoio político e, com certeza, económico à causa. Iniciou-se igualmente a instalação das célebres Lojas Lautarinas, por diversas cidades do continente americano, cujo trabalho foi fundamental. Sem entrar em grandes detalhes, é de extrema importância entender os meandros destas lojas, respectivos Regulamentos e Obrigações preparadas pelo próprio O'Higgins e a polémica veia militar destas lojas, sobre inclusive os seus membros, numa espécie de carbonaria europeia, cuja filial em Portugal planeou e executou o regicídio em Portugal, em 1908.

Miranda fortaleceu a ideia de uma América Latina unida e independente. A sua primeira expedição à Venezuela, em 1806, contou com a ajuda britânica e norte americana, embora tenha fracassado. Curiosamente um dos voluntários para esta expedição era precisamente o irmão norte-americano David G. Burnet, tendo posteriormente ocupado a função de presidente interino da República do Texas, depois de sua separação do México, em 1836. Em 1808 estava prevista outra expedição chefiada pelo irmão Arthur Wellesley, mais tarde investido duque de Wellington, mas as invasões de Napoleão à Espanha interromperam os planos.

O próprio Simon Bolivar foi iniciado no grau de aprendiz, aos 20 anos, na Loja Lautaro de Cádiz, em 1803. Elevado ao grau de Mestre Maçom, em maio de 1806, na Loja Mãe de Santo Alexandre da Escócia, em Paris e, em abril de 1824, recebeu o 33º grau, de Inspector Geral Honorário. Levantou colunas da Loja nº 1, Protectora de las Vertudes, na Venezuela e da Loja nº 2, Ordem e Liberdade, no Peru. Após a iniciação na Europa, Bolivar viajou para os Estados Unidos e retornou à Venezuela, em cerca de 1807. Aproveitando a destituição do Rei de Espanha pelo Napoleão e convencendo o irmão Miranda a voltar para a Venezuela, estabeleceram o Congresso e a Primeira Républica da Venezuela, tendo no mesmo ano declarado oficialmente a independência da Espanha. Francisco de Miranda foi declarado o primeiro presidente, mas viu a desordem política, económica e até um terremoto devastar o país assinando, em Junho de 1812, um armistício com o monarquia espanhola. Esta acção foi considerada traição por Bolívar e seus seguidores. Bolívar condenou Miranda à prisão perpétua por este armistício. Bolívar tornou-se um comandante do exército republicano, sendo auxiliado por soldados britânicos recém-saídos das Guerras Napoleônicas e conquistou novamente o controlo da República da Venezuela não apenas uma, mas duas vezes, enquanto Presidente. A sua jornada continuou pela América Latina tendo unido e criado a Républica da Gran Colômbia, hoje conhecido como Colômbia, Equador, Venezuela, Panamá, partes do Peru, Guiana e noroeste do Brasil, sendo o primeiro presidente de 1819 a 1830. Bolívar finalmente renunciou à presidência em 27 de abril de 1830, com a intenção de deixar o país para o exílio na Europa. Falecendo pouco depois devido a uma tuberculose prolongada. Tendo sido desmistificado, em julho de 2011, por especialistas forenses internacionais, a pedido do então Presidente Hugo Chávez, a teoria de assassinato.

Como referi este não é um documento histórico, aconselho o aprofundamento e estudo sobre a história das lojas criadas na américa e dos irmãos acima referidos e outros como; Luis López Méndez, Andrés Bello Peña, Iznardi, José Carrión, General José de Sucre, General Córdova, Tenente Coronel Vicente Tur, General Antonio Valero de Bernabé, Roseto, Yañez, Penalver Matias, Mariano Montilla, Francisco Iznardi, Miguel Hidalgo, Francisco de Paula Santander, Antonio Nariño, John Hancock, Jose Maria Morelos y Pavon and Ignacio Allende, John Adams, James Buchanan Jr, Albert Pike, Thomas Jefferson, Randolph Took, Padre Gonçalves Soares de França entre tantos outros.

Parafraseando novamente a prancha acima referida, certo é que existiu um trabalho de irmãos maçons na formação de uma base de apoio à causa revolucionária. Mas o trabalho desenvolvido até às revoluções é bem diferente dos processos de governação de um país e suas múltiplas variáveis, como a produção, administração, educação e estrutura social e jurídica. Reuniram-se exércitos libertadores para libertar Argentina, Chile e Peru, mas todos sabemos que um exército e sua logística é deveras dispendioso e alguém deve ter financiado estes valores esperando obviamente retorno. Os apoios estrangeiros às causas revolucionárias poderão ter feito dos libertadores reféns em algumas decisões. Verificamos pela história os fortes vínculos dos irmãos sul americanos com a maçonaria anglo-americana.

Temos como exemplo interessante a libertação do Chile e as medidas tomadas por O´Higgins, após tomada de posse como Director Supremo da Républica. Estas medidas afectaram as classes mais altas, a Nobreza e a Igreja Católica, tendo a vox populi ficado com a sensação que os libertadores não passavam de testas-de-ferro de interesses mais “altos”. Outro exemplo interessante é o da conquista de Lima, em 1820, por San Martin com o apoio marítimo de Lord Cochrane; San Martim ganhou a inimizade de Cochrane por ter-se negado a um ataque a Lima e conseguindo a evacuação e retirada das tropas do Vire-Rei José de la Serna, evitando o derramamento de sangue e milhares de mortos. Lord Cochrane, independentemente de ser maçon ou não, possuía um histórico de fraudes e uma anterior expulsão da Marinha Britânica. Seria um homem a soldo da coroa britânica, ao estilo Corsário? Posteriormente recebeu perdões da coroa britânica e foi consequentemente promovido.

Mas foi com a batalha de Ayacucho, a 09 de dezembro de 1824, que os independentistas sul americanos derrotaram o exército espanhol. Uma batalha épica para a história da maçonaria dado existirem centenas de soldados maçons de ambos os lados, lutando entre si. Apesar das tentativas de encontrar uma solução pacífica entre lojas maçónicas presentes e esforços diplomáticos a batalha foi inevitável. Do lado espanhol estavam os irmãos maçons Rodil, Espartero, Vergara, Vice-Rei José de la Serna, Venerável Mestre General Canterac, Past Master Marechal Jerônimo Valdez, General Monet, Antonio Tur e General Ballesteros e do lado independentista os irmãos José Faustino Sanchéz Carrión, General Antonio José de Sucre, General José Maria Córdova, Tenente Coronel Vicente Tur e General Antonio Valero de Bernabé, entre outros. Esta batalha ficou marcada pela Acta de Capitulação e pelo respeito dos direitos do homem aos vencidos. A Fraternidade marcou honradamente os vencedores e a Espanha perdera definitivamente a sua influência.

Curiosamente, a história revela-nos que muitos destes irmãos faleceram tragicamente, por exemplo: o General Sucre, Presidente Vitalício da nova República da Bolívia, até 1828, foi assassinado na Colômbia quando da sua viagem para assumir a Presidência da República do Equador; San Martin, o Libertador da Argentina, Chile e Peru viajou em exílio para a Europa, depois da morte da esposa, tendo acompanhado com pesar as guerras civis no seu país de federalistas contra Unitaristas, assistindo em Paris à Revolução Francesa, mas nunca mais voltou para a América do Sul falecendo em 1850; O'Higgins, foi deposto em cerca de 1823 e morre exilado no Peru, em 1842; Miranda morreu numa prisão em Cádiz; Muitos outros irmãos morreram nas diversas batalhas como heróis sacrificados, tal como se resume a alegoria da morte de Hiram, numa clara alusão ao Sacrifício.

A Exaltação da Pátria, da Bandeira e do Hino como estratégia de unificação de um povo, do seu sacrifício contra os opressores, o altruísmo em defender os ideias de um país melhor et cetera, são a propaganda política de um novo mundo em contraponto ao do mundo regido por monarquias, nobreza e clero, que por centenas de anos governou os destinos da Europa.

De elevada importância histórica e que muito contribuiu para a vitória da Independência sobre a Monarquia Espanhola e Portuguesa foram as acções destabilizadoras de Napoleão, originando o surgimento de homens na esteira dessas guerras. Não apenas britânicos e americanos combateram na América do Sul, como a derrota de Napoleão em Waterloo, em 1815, causou um êxodo de soldados franceses para a América Latina, onde se juntaram aos exércitos dos movimentos de independência.

As invasões Napoleónicas obrigaram a família real portuguesa a fugir para o Brasil, em 1807. Tendo a corte portuguesa sido estabelecida no Rio de Janeiro e declarado esta cidade como a capital do Império. Nos 15 anos seguintes a contestação, liderada pela Maçonaria, elevava-se de tom num clima de sedição generalizado em todo o Portugal e Brasil. As forças militares insurgiam-se contra a influência britânica, dado a Regência de Portugal ter colocado o britânico Lord Beresford como comandante do Exército português e regente do reino de Portugal. O que levou a protestos e intensificou a tendência anti-britânica, originando a Conspiração Liberal de Lisboa, em 1817. Esta revolta teve um forte cunho da maçonaria portuguesa, mas levou à execução do 5º Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano em funções, General Gomes Freire de Andrade e foi proibido todo o funcionamento das Sociedades Secretas nos reinos de Portugal, Brasil e Algarves. O irmão General Gomes Freire foi um prestigiado maçom europeu iniciado na Maçonaria antes de 1785, provavelmente em Viena, na Loja Zur gekrönten Hoffnung, juntamente com Wolfgang Amadeus Mozart. As contestações continuaram pelo reino e, em 1820, a maçonaria portuguesa liderou a Revolução Liberal do Porto exigindo o regresso do Rei D João VI e depõe Lord Beresford. É desencadeada também a Revolução de 1820 em Espanha, de cariz liberal e contestatário aos Estados Absolutistas da Península Ibérica.

Com a derrota de Napoleão e contestações ao rubro a Monarquia de Bragança retorna a Portugal, tendo o 4º herdeiro, o maçom D. Pedro, permanecido no Brasil e conseguindo a independência desta nação quase pacificamente e com o território intacto.

No Brasil julga-se que a maçonaria existia desde o período colonial, existem referências à presença de maçons na inconfidência mineira, de 1789, e na conjuração baiana, de 1798. A primeira loja regular foi a Reunião, a oriente da Ille de France, em 1801, sendo posteriormente criadas mais duas lojas filiadas no Grande Oriente Lusitano, as lojas Constância e Filantropia, em 1804. Na corte do Rei D. João VI, em 1815, existiam duas lojas em actividade, uma delas a loja São João de Bragança, em suposta homenagem velada ao Rei. Presume-se que seria tolerante às actividades maçónicas e não obstante ter proibido as actividades das sociedades secretas, os quadros das lojas cresciam por todo o território e, em Junho de 1822, foi fundado o Grande Oriente do Brasil, com três lojas.

Um facto interessante em alguns processos de independência, como o caso do Brasil, é encontrarmos duas facções maçónicas, a dos republicanos e a daqueles que pretendiam uma monarquia constitucional. Inglaterra já possuía uma Monarquia Constitucional desde 1688 e vários são os países europeus em que os soberanos gozam de poderes limitados e cerimoniais.

A maçonaria brasileira estava também dividida em duas grandes facções favoráveis à independência, que se perseguiam mutuamente com danos. Joaquim Gonçalves Ledo liderava uma da facções e defendia ideias republicanas, enquanto José Bonifácio de Andrade e Silva, acreditava que a solução era manter D. Pedro como imperador em regime de monarquia constitucional e defendia, como refere o autor Laurentino Gomes “a distribuição das terras improdutivas e o estímulo à agricultura familiar, tolerância política e religiosa, educação para todos, proteção das florestas e tratamento respeitoso aos índios…” bem como a abolição da escravatura.

Em 7 de setembro de 1822 temos a proclamação da Independência do Brasil, nas margens do rio Ipiranga e D Pedro I aclamado Imperador Constitucional. Ao contrário das repúblicas vizinhas, Brasil permaneceu uma monarquia por 50 anos, reprimindo ideias democráticas, republicanas e federativas. Registos oficiais referem que a iniciação de D Pedro I, deu-se na Loja Comércio e Arte, no dia 02 de agosto de 1822, com o nome de Guatimozim – em homenagem ao último imperador asteca. A 4 de outubro de 1822, D. Pedro foi aclamado Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil em substituição a José Bonifácio, que voltaria a ser Grão mestre em 1831. A Proclamação da República, em 1889, foi realizada pelo Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, Marechal Deodoro da Fonseca, numa intervenção militar que se crê com base em diversos boatos falaciosos lançados pelo minoritário partido republicano. Sem entrar em mais detalhes dados os limites de páginas para este ensaio, a maçonaria sempre teve uma profunda influência no Brasil e, até aos dias de hoje, continua a ser um aliado na e da administração governamental. Apoiou as ditaduras militares e golpes de estado no Brasil, em contraposto com Portugal que viu novamente a perseguição atingir as colunas dos seus templos, em 1935, onde muitos dos maçons migraram para Moçambique. Aproveito a deixa de Moçambique para referir que não só nos países americanos existiu essa influência maçónica como nos países africanos, os de expressão portuguesa pelo menos. Com o exílio de muitos irmãos perseguidos em Portugal para Moçambique desenvolvendo consideravelmente este país, a ponto de ter estado mais desenvolvido que a própria metrópole.

Após a proclamação da independência de muitos países sul americanos, com excepção de alguns países emergentes, do quais se destaca o Brasil, continuaram numa pobreza generalizada, golpes militares, guerras civis, etc., levando à pergunta; o que mudou com a Independência e o que os povos ganharam?

A influencia maçónica não teve apenas nos processos de independência, mas também nos movimentos de abolição da escravatura, nomeadamente entre os maçons iluministas europeus e norte-americanos, que tinham como ideal a Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A Coroa Britânica que fora uma das nações com maior actuação no comércio de escravos entre os séculos XVII e XVIII, passou a encabeçar a campanha abolicionista contra o tráfico negreiro no Atlântico, devido à industrialização e aumento da produtividade, modificação das relações de trabalho e necessidade da ampliação de mercados de consumo. Neste novo modelo económico, que intensificou os processos de independência, era mais lucrativo manter os africanos na África, incentivando uma produção de matérias-primas baratas. Além disso, o fim da escravatura fazia destes homens e mulheres um mercado consumidor de produtos industrializados em potencial. A escravatura não era apenas uma questão moral e humana, mas conforme aos interesses económicos.

Neste sentido, Portugal foi dos primeiros países abolir a escravatura em 1570, abolindo a escravatura dos Ameríndios. Em 1595, aboliu o tráfego de escravos chineses. Em 1761, o irmão maçom e Secretario de Estado do Reino de Portugal, Sebastião de Carvalho e Melo “Marquês de Pombal” aboliu a escravatura de Negros e Indianos, ele próprio descendente de escravos decretou também o fim da importação de escravos das colônias para a metrópole e em 1854, os Afro Portugueses. Um dos temas que gostaria de realçar foi o ideal do V Império e o culto do Espírito Santo, da Liberdade e Ecumenismo nos descobrimentos portugueses, que se veio a perder a favor dos interesses económicos.

Desde o séc. XV e os Descobrimentos que o mundo não seria mais igual. Caminhamos para uma única civilização em que é fundamental respeitar cada individualidade, cada forma de vida, cada cultura, cada opinião desde que não prejudique nada nem ninguém e se encontre dentro dos valores morais universais.

Os antepassados que migraram para as Américas carregando sonhos, fugindo dos modelos injustos da Europa, vivem ainda hoje guerras em diversos países, guerra contra a pobreza, contra a opressão, contra o pensamento diferente, podendo tal ser prova que não estavam preparados e que os ideias não eram unanimes a todos.

Em cerca de 200 anos de pós-independência continuamos a viver tempos de manifestas indeterminações no que respeita às diferentes dimensões dos processos económicos e democráticos e, em consequência, uma necessidade de criação de novas formas de pensar e de agir. Será que hoje se pode mudar para melhor? Ultrapassamos os estados autocráticos absolutistas, religiosamente dogmáticos, com altos tributos, que ainda encontramos actualmente nações a viver esta realidade e passamos para a figura de uma pátria, com muitos progressos tecnológicos, cientificas, de infraestrutras, de qualidade de visa sonre a bandeira da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Observamos hoje empresas maiores que nações e grandes demais para falhar, que chegam a mandar mais na sociedade que os próprios governos, algumas cujas estratégias e influências estão corrompidos pelo horroroso jogo da sociedade actual. Enfraquecimento dos processos democráticos, apelo a instintos primitivos, medo, tribalismo, dogma político, dogma religioso. Realmente interessa carregarmos uma bandeira, uma nacionalidade, se passamos para um horror económico, citando Viviane Forrester, de uma administração governamental corrupta e incompetente, com impostos talvez maiores do que outrora e sem conhecermos a cara dos verdadeiros responsáveis. A pátria e seus governantes honram o povo?

O povo por sua vez não pensa, talvez seja mais fácil ser mandado e receber instruções do que pensar, viramos todos escravos modernos de um sistema com paredes de betão. Carreguemos sim uma individualidade, uma cultura, um modo de vida, carreguemos sim os valores humanos universais, o respeito pela vida e pelas Leis não escritas, pela Paz, pelos outros credos religiosos, por outras formas de pensar, não permitindo que nos manipulem.

O homem tem engenho na criação, em resolver as suas necessidades, temos uma necessidade de exigir bons líderes e uma sociedade economicamente humana. Devemos evitar condenação de pessoas e estados, proteger a Justiça. Vivemos hoje uma sociedade desigual, autocrática, oligárquica sobre ideais nacionalistas que já não fazem sentido na globalidade, na Nova Ordem Mundial.

Esta Nova Ordem Mundial terá que ser deveras ponderada para uma igualdade entre as diversas regiões do globo. Todos dependemos uns dos outros. O choque de culturas ainda se verifica por ignorância. A Liberdade tem ainda um longo caminho por fazer no mundo povoado por humanos, mas ainda à procura da Humanidade.

O mundo sempre avança no sentido do progresso científico, mas o sistema parou no tempo com as mesmas estratégicas. De que nos vale complexos sistemas jurídicos, financeiros, policiais, meios de comunicação, etc., se tudo se corrompe, quem o faz perfeito ou imperfeito são os seus elementos humanos. O mundo evolui no sentido da Liberdade, da Justiça e dos Valores humanos. Uma roda que gira devagar, mas não para, independentemente das forças de tracção.

Obvio que a maçonaria foi o braço e mão dos processos de independência de muitos países, na construção de um novo mundo em oposição ao velho, mas terá sido por ideais maçónicos? Interesses comerciais? Militares? Políticos? Terá sido usada? Será ainda hoje usada?

Encontramos ainda hoje em dia e em todas as entidades religiosas, políticas, governamentais e financeiras homens que se entregam à ganância e corrupção, sem se aperceberem que todas as nossas acões são cuidadosamente medidas e pesadas pelo esquadro e balança do Grande Arquitecto do Universo. Os irmãos maçons iluminados pelas nossas escrituras ritualísticas deveriam de ter sede pelo estudo dos ensinamentos da nossa ordem e de todas as outras. Pois não somos nem superiores, nem inferiores a ninguém. No seio maçónico deveria haver ambição pela sabedoria e pelo conhecimento histórico, científico e espiritual do que está por detrás dos ensinamentos. Ensinamentos esse que são simples de compreender, mas muito difíceis de conseguir, por exemplo a tolerância e perseverança só se conseguirá sobre um “olhar” atento sobre os próprios pensamentos e conduta.

Neste ensaio muita informação foi dada, que se lhe exige esforço do leitor para análise e dedução, mas o objectivo não é apenas a influência da Maçonaria nos processos de independência dos países americanos e africanos, mas também, para quando a revolução na Maçonaria?

A Maçonaria procura a Verdade e a Verdade encontra-se em todo o lado. Quais as nossas ligações aos judeus cainitas, ao gnosticismo, Tradição Hermética Egipcia, aos evangelhos canónicos, dutra-canónicos e apócrifos, aos extintos pobres cavaleiros do Templo de Salomão, à Soberana Ordem de S. João de Jerusalém, aos pagãos, à cabala, ao espiritismo, à geometria sagrada, ao induísmo, etc. Será que a igreja católica tem mais conhecimento do que nós, sobre a nossa liturgia? Pois tiveram que abandonar as nossas colunas, no século XVIII, pela Bula que nos excomungou. A Maçonaria procura todas as partes da Verdade que nos Liberta.

A nossa sede não pode ser pelo Poder, pela riqueza Material, mas pela riqueza do espírito sábio, altruísta e justo que se sobre põe à matéria e perdura pela eternidade na nossa alma. Perde-la não é uma solução.

As gerações humanas nascem hoje mais livres que outrora, com acesso à informação e conhecimento, com tudo practicamente feito e oferecido, crescem sem grandes necessidades, sem exigências por um lado e sobre uma enorme pressão de atingir objectivos de sucesso. Uma educação que deverá ser repensada. A imaginação tem de ser estimulada e as novas gerações despontarem para a invenção e criação de uma melhor qualidade de vida em harmonia connosco próprios e com a Natureza. Pois tudo o que possuímos dela advém; mesmo a nossa imaginação e consciência da natureza advém. Revoluções industriais e tecnológicas foram feitas e continuaremos a vivenciá-las futuramente, mas tudo se encontra na mesma; valeu o sacrifício? Se os sistemas políticos governamentais falidos e corruptos foram o mote de uma nova civilização contemporânea porque actualmente estamos todos conformados? Necessitamos de criar líderes governamentais com capacidade para administrar. Essa continua a ser uma necessidade muito actual, face às novas directrizes e especificidades da realidade mundial e das particularidades de cada país.

Somos todos filhos de um só Planeta. Uma Nova Ordem Mundial sim, mas não como está a ser preparada com modelos de escravatura moderna. Uma Nova Ordem Mundial onde todos possamos ser respeitados.

A Maçonaria terá sempre a obrigação de criar masmorras aos vícios psicológicos e de libertar a condição humana sobre toda a forma de austeridade. Liberdade Igualdade e Fraternidade são a nossa luta diária na Humanidade, que não poderão existir sem Justiça.


À Glória do grande Arquitecto do Universo.

Pensava eu que esta prancha estava terminada, mas existem outros planos para o fim deste trabalho. Quantas vezes os irmãos experienciam, em sessão de loja, acontecimentos que parecem conectados? Como se as sessões fossem vivas e com um propósito próprio. Coincidências, acasos que se conectam e interligam, sem ter realmente existido uma intenção para tal, como se um pré destino se tratasse. O mesmo sucedeu neste trabalho.

Com este trabalho foi efectuado um donativo ao povo indígena Kogui – Wiwi da montanha de Sierra Nevada de Santa Marta, na Colômbia, de jogos de criança e ferramentas de trabalho.

Este povo que se refugiou nas montanhas, devido às invasões colombianas, ainda persistindo nos seus costumes, tradições e conhecimentos, não são apenas uma simples sociedade agrária, possuem até várias coisas em comum com a Maçonaria. Vou apontar talvez o mais interessante; alguns membros da comunidade Kogui são escolhidos para, com poucos meses de idade, irem para uma caverna, tal como a nossa Camara de Reflexões e tornarem-se iniciados Mamos. Ficando durante pelo menos 9 anos na escuridão da caverna, VITRIOL, como aprendizes dos anciões até poderem sair e ver a Luz. Encontramos outras semelhanças na própria cultura com a nossa mas com uma realidade muito diferente da generalidade humana, da qual destaco a filosofia sem pensamento nada existe. Este povo resolveu enviar uma mensagem ao mundo que coloco no link abaixo, tal como a mensagem de Hanabiko "Koko" (July 4, 1971 – June 19, 2018) cujo link também segue abaixo. A mensagem alerta para a desarmonia entre homem e habitat de todos, com repercussões imprevisíveis.

Termino assim lembrando a responsabilidade, como maçons, de defender todas as formas de injustiça.


Luís Cruz, KM.

Como foi a imaginação que criou o mundo, ela governa-o.

Charles Baudelaire.


Agradecimentos:

Este ensaio teve também manifestação no mundo físico através de um donativo.

Foi sugerido pela querida irmã professora Dra Maria H. editora da Cátedra Giordano Bruno, que a oferta fosse entregue no povo indígena Kogui – Wiwi da montanha de Sierra Nevada de Santa Marta na Colômbia e que concordei prontamente. Obrigado por me ter dado a conhecer este povo, que leva com muita responsabilidade a sua missão.

Obrigado a todos os irmãos. Agradecimento especial a Andy P. D., Príncipe José C., Júlio Q. e minha querida esposa, Natália Mey Lin.


Links

Kokos last message to humanity

Aluna the movie


Bibliografia

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ALLEN, Nick. "Simon Bolivar died of arsenic poisoning". The Telegraph. 7 May 2010.

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GOMES, Laurentino. “1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado”. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.

JAMES, Ian "Venezuela opens Bolivar's tomb to examine remains". MSNBC. 16 de Julho de 2010.

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SOARES, Luiz Carlos. Ciência, religião e Ilustração: as academias de ensino dos dissentes racionalistas ingleses no século XVIII. Universidade Federal Fluminense. 2001.



Netgrafia

A:.R:.L:.S:. Fraternidade Acadêmica Irmão Otaíde Feltrim, do oriente de Formiga/MG. JESUS, Miqueas Libório de, http://academicaotaidefeltrim.blogspot.com/2011/10/importancia-da-maconaria-em-america.html

https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Masonic_Grand_Lodges_in_North_America

https://en.wikipedia.org/wiki/Les_Neuf_S%C5%93urs

https://1earth-institute.net/2016/04/04/the-mamos-of-colombia/

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